De que maneira as eleições influenciam o dólar e os investimentos no Brasil
Descubra de que maneira as eleições influenciam o dólar e os seus investimentos, explorando o histórico eleitoral e aprendendo como agir com seu dinheiro.
Atenção: de que forma as eleições influenciam o dólar e seu patrimônio

Se você tem conferido o aplicativo do banco recentemente e percebeu o dólar oscilando de um dia para outro, saiba que isso tem uma explicação clara.
Compreender como as eleições impactam o dólar é fundamental para proteger seu dinheiro, seja para planejar uma viagem, realizar uma compra em moeda estrangeira ou preservar o valor dos seus investimentos.
As últimas pesquisas indicam um empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o Brasil também sente os efeitos dos juros americanos, que voltaram a subir recentemente.
Este artigo apresenta o que a história das eleições passadas revela, o que está influenciando o câmbio atualmente e os pontos essenciais para acompanhar em seus investimentos.
Eleições e dólar: qual é o impacto direto?
O principal efeito das eleições sobre o dólar está relacionado à incerteza fiscal.
Como o investidor não sabe como o novo governo vai administrar as finanças públicas, ele exige um retorno maior para manter o capital no país ou simplesmente retira o dinheiro do Brasil.
Na prática, esse processo ocorre em quatro fases:
- Antes do primeiro turno, cada pesquisa eleitoral impacta o câmbio;
- Após o primeiro turno, a incerteza tende a cair e o dólar, a desvalorizar;
- Entre os turnos, a volatilidade retorna, porém geralmente de forma mais branda;
- Depois da posse, o câmbio reage às primeiras decisões econômicas do governo eleito.
Um estudo da Remessa Online, com base nos dados PTAX do Banco Central, destaca que não é possível prever para onde o dólar vai após a eleição, mas é possível estimar o grau de volatilidade.
O que o passado revela: o comportamento do dólar nas eleições recentes
Um padrão que se repete
Nas últimas três eleições presidenciais (2014, 2018 e 2022), o dólar apresentou queda logo após o primeiro turno, variando entre 2,9% e 3,8%.
Isso acontece porque parte da incerteza desaparece assim que o mercado sabe quem avançou para o segundo turno.
No período de 30 dias que antecede a votação, o comportamento do dólar foi bastante variável: subiu 11,2% em 2014 e teve queda de 6,7% em 2018.
Por isso, tentar prever a cotação do câmbio com base no candidato que lidera as pesquisas geralmente não funciona.
2002: um caso extremo
A eleição de 2002 é frequentemente lembrada como o exemplo mais emblemático da ligação entre política e câmbio.
Aquele ano viu o dólar saltar de aproximadamente R$ 2,30 em janeiro para quase R$ 3,95 em outubro, segundo os dados da PTAX do Banco Central.
A Avenue descreve 2002 como um ano marcado por uma “fragilidade externa incomum que não se repetiu depois”. Atualmente, o Brasil conta com reservas internacionais robustas e um câmbio flutuante, o que reduz a chance de um choque semelhante.
O panorama de setembro de 2026: por que o dólar está apresentando tanta volatilidade?
As pesquisas feitas em setembro indicam uma disputa muito acirrada, voto a voto.
O levantamento da Quaest, divulgado em 22 de setembro, mostrou um empate técnico, com os dois principais candidatos variando entre 41% e 42%, conforme reportou a Forbes Brasil.
O mercado reage a cada nova pesquisa. No dia 2 de setembro, um resultado mostrando empate técnico elevou o dólar para R$ 5,10 e fez o Ibovespa subir mais de 3%, segundo a CNN Brasil.
Os especialistas se referem a isso como “trade eleitoral”: operações que buscam antecipar o desfecho das eleições.
Copom reduz a Selic para 13,75%
Na reunião realizada em 16 de setembro, o Copom decidiu, por unanimidade, baixar a Selic para 13,75% ao ano.
O comunicado destacou uma “moderação gradual da atividade econômica” e estimou o IPCA para 2026 em 5,2%, valor que ultrapassa o limite da meta estabelecida.
No cenário base apresentado pelo Banco Central, o dólar está cotado a R$ 5,15. Com a queda da Selic, o Brasil perde um pouco do apelo para investidores estrangeiros que buscam altos juros, conhecido como carry trade, o que pode enfraquecer o real.
O Fed eleva os juros e pressiona economias emergentes
No mesmo dia, o Federal Reserve aumentou os juros nos EUA em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4,00%.
Conforme o InfoMoney, essa foi a primeira elevação desde 2023, e 16 dos 18 membros do Fed esperam uma nova alta antes de dezembro.
Taxas mais altas nos EUA atraem capital para lá, reduzindo a diferença em relação aos juros brasileiros. Essa combinação com o cenário eleitoral ajuda a explicar a estabilização do câmbio.
Qual é a situação atual do dólar
Apesar de toda a instabilidade causada pelas eleições, o dólar registra queda ao longo de 2026.
As previsões para o dólar em dezembro estão concentradas entre R$ 5,15 e R$ 5,30, indicando que o mercado espera volatilidade, mas não uma ruptura brusca.
O que dizem os especialistas?
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, resumiu a situação em entrevista à CNN Brasil: “Não vejo um cenário de desastre, mas também não há motivo para grande otimismo”.
Ele destaca que a questão fiscal é o fator mais importante: “Qualquer vencedor pode indicar um compromisso maior ou menor com o equilíbrio das contas públicas”.
Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, e André Valério, economista sênior do Inter, também acompanham essas questões.
As instituições onde trabalham estimam o câmbio para o fim do ano em R$ 5,30 e R$ 5,15, nessa ordem.
Essa diferença de 15 centavos entre dois grandes bancos revela o quanto a eleição ainda pode influenciar o cenário.
Impacto das eleições no dólar e em cada tipo de investimento
Essa é a categoria que menos sofre com as oscilações causadas pelas eleições.
Com a Selic em 13,75%, os rendimentos continuam elevados, mesmo após o corte. Os CDBs ainda possuem a proteção do FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.
Por isso, muita gente utiliza essas aplicações como reserva de emergência e um refúgio seguro em tempos de instabilidade.
Prefixados e Tesouro IPCA+
Esses títulos são os que mais reagem às eleições. Quando o mercado teme um descontrole fiscal, as taxas futuras sobem, fazendo o preço desses papéis cair na marcação a mercado.
Quem mantiver o título até a data de vencimento recebe a rentabilidade acordada. Já quem precisar vender antes pode acabar com prejuízo.
Para quem investe agora, a volatilidade pode representar taxas mais atraentes no momento da compra.
Ações e Ibovespa
O mercado de ações reage a cada pesquisa divulgada. Em 2 de setembro, por exemplo, o índice subiu mais de 3% em um único dia.
Setores como estatais e regulados (bancos públicos, energia e saneamento) apresentam maior volatilidade, pois o resultado eleitoral altera as expectativas sobre seu controle e regulamentação.
Dólar, ETFs e investimentos fora do Brasil
Manter parte do seu patrimônio em moedas fortes serve como proteção (hedge), não como uma aposta.
Tentar lucrar comprando dólar na véspera da eleição é pura especulação.
Historicamente, o dólar cai entre 3% e 4% após o primeiro turno das últimas eleições, então quem compra na alta pode acabar no prejuízo.
Principais datas de setembro que impactam suas finanças
- 7 de setembro, Independência: feriado nacional sem pregão na B3, coincidindo neste ano com a reta final da campanha e manifestações de rua;
- 15 de setembro, Dia do Cliente: data importante para o varejo. Com o dólar em queda no ano, as compras internacionais ficaram ligeiramente mais acessíveis que em 2025;
- 16 de setembro, “superquarta”: decisões do Copom e do Fed no mesmo dia, o principal evento macroeconômico do mês.
- Final de setembro: últimas pesquisas antes do primeiro turno em 4 de outubro, após semanas de horário eleitoral gratuito no ar.
Setembro Amarelo e o impacto da ansiedade financeira
Setembro é também o mês dedicado à conscientização sobre saúde mental.
As notícias sobre o dólar e as eleições afetam emocionalmente quem tem dívidas ou planos em moedas estrangeiras.
Tomar decisões financeiras importantes impulsivamente, baseado nas notícias, é um erro comum em anos eleitorais.
5 dicas essenciais para o período eleitoral
- Evite comprar dólar tudo em um só dia. Se você tem viagem ou compra planejada, faça aquisições espaçadas para obter um preço médio;
- Reserve sua emergência em investimentos pós-fixados. Com a Selic a 13,75%, liquidez e rendimento andam juntos;
- Não venda títulos prefixados ou IPCA+ por impulso. A variação a mercado é temporária para quem mantém o título até o fim;
- Diversifique moedas como estratégia, não aposta. Ter parte em ativos no exterior protege seu patrimônio independente do resultado;
- Foque no fiscal, não só nas pesquisas. O que realmente impacta o câmbio no médio prazo são as regras fiscais que o governo eleito vai implementar.
Opinião pessoal do autor
Após analisar quatro eleições presidenciais escrevendo sobre finanças, a principal lição é clara: quem perde dinheiro em anos eleitorais geralmente é quem tenta prever o resultado.
Os dados de 2026 indicam um mercado tenso, mas sem sinais de pânico.
O dólar está próximo de R$ 5,20, as previsões dos principais bancos estão alinhadas, e a Selic permanece alta o suficiente para garantir bons rendimentos a quem busca segurança.
Para quem está organizando suas finanças no Brasil, o ideal é desistir de tentar prever o câmbio e montar uma carteira que funcione independentemente do resultado: uma reserva de emergência em pós-fixados, uma parte em moeda forte adquirida gradualmente e paciência com investimentos de longo prazo.
A eleição se estende por semanas, mas as decisões financeiras que você tomar agora vão impactar sua vida por muitos anos.
